Adoramos?



“Tira o pé do chão!”, “Faça barulho em nome de Jesus!”, “Toque no altar de Deus!”, “Receba!” Isso e outras bizarrices são berradas dos púlpitos das igrejas hoje, em meio a louvores sem conteúdo e sem reverência, a isso os cristãos chamam de: “Adoração”. Meu Deus quanto absurdo!
Nas palavras de William Temple: “adoração é a submissão de toda nossa natureza a Deus. É a vivificação da consciência mediante sua santidade, o nutrir da mente de Cristo com sua verdade, a purificação da imaginação por sua beleza, o abrir do coração ao seu amor e a entrega da vontade ao seu propósito”.
A verdadeira adoração tem por base a Bíblia e não jargões de um “evangeliquês” de meia pataca. A verdadeira adoração segue o Soli Deo Gloria defendido e pregado pelos reformadores. A verdadeira adoração não é coisa de um momento durante o qual algumas canções são entoadas, e, diga-se de passagem, canções medíocres e sem conteúdo bíblico saudável. Canções que exaltam o homem a um patamar que única e exclusivamente de Deus.
O pastor Renato Vargens, em seu livro Muito Mais que Louvor (que indico), diz: “Adorar a Deus é dar ao Senhor a glória que lhe é devida como resposta ao que Ele nos revelou e fez em Seu Filho Jesus Cristo”. Isto, posto, como podem os tais “adoradores” chamarem o espetáculo que encenam nos púlpitos de adoração ao Deus vivo?
Proferir jargões de um “evangeliquês” paupérrimo sem nexos, gritar pra incitar os irmãos na igreja, cantar músicas que são antropocêntricas não é adorar a Deus em espírito e muito menos em verdade, como a Bíblia nos exorta a fazer (Jo 4.24).
Prosseguindo o pastor Renato Vargens diz: “adorar é demonstra com a vida e não somente com os lábios, que Cristo nos salvou e que pela sua graça, mediante o Espírito Santo, fomos regenerados, sendo transformados em novas criaturas”.
Muitos dizem que adoração é um estilo de vida. Eu discordo totalmente. Adorar não é um simples estilo de vida, mas sim a nossa vida. Paulo foi bem claro quanto a isso: “Assim quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus” (I Co 10.31).
Não poderia deixar de citar as canções entoadas hoje em nossos cultos, uma vez que adoramos a Deus através delas. Só que nessa área a igreja está deixando muito a desejar. As canções antigamente traziam em suas letras a expressão: “Tu és...” e enalteciam a Deus e o tinham como centro, hoje a igreja ao que parece se perdeu no caminho em direção ao trono do Altíssimo, pois suas canções agora trazem a expressão: “Eu sou...” e enaltecem ao homem e o colocam como o centro da adoração. Será que esses compositores se esqueceram das palavras de Isaías: “Eu sou o Senhor; este é o meu nome! Não darei a outro a minha glória...” (Is 42.8)?  Hoje as canções glorificam ao homem e colocam Deus na posição do gênio da lâmpada mágica que tem que fazer todas as vontades das suas egoístas criaturas. As músicas de hoje não glorificam apenas massageiam o ego e satisfazem os crentes. Tudo isso que ocorre hoje foi escrito e cantado pelo Grupo Logos em 1996: “Quem ontem era servo, agora acha-se senhor e diz a Deus como Ele tem que ser” . Louvamos e adoramos a criatura e não ao Criador Eterno. Que vergonha! As canções mais parecem com aquelas que são usadas pelos educadores físicos nas academias, pois é um negócio de: “pra direita, pra esquerda” e o pior os ditos ministros de louvor ainda berram: “é a ginástica de Jeová” haja paciência para suportar tais aberrações. Isso não é e nem nunca foi adoração. Nas palavras de Herbert M. Carson: “adorar a Deus é compreender o propósito com o qual Ele nos criou”.
Outra coisa que incomoda muitos pastores hoje é a questão da dança na igreja. Não sou contra a coreografia como forma de adoração a Deus, é tanto que o salmista diz no salmo 150 que devemos louvá-Lo com adufes e com danças. Contudo, concordo com a opinião do pastor Renato Vargens: “o momento de adoração com música deveria ser única e exclusivamente para adorar a Deus e não para a apresentação de grupos artísticos”. O que eu contesto é que devido a letras tortas e sem conteúdo bíblico incitam a coreografias onde beijos são encenados em pleno altar. “Beijar Deus”, “Abraça-Lo com todo nosso amor”, isso é encenado de forma escancarada nas igrejas, sei que nem todos os grupos de coreografias se renderam a essas músicas, mas pelo erro de um todos os demais pagam e assim ficam mal vistos num cenário que já não é tão aberto a essa forma de adoração. Ao pesquisar para redigir esse artigo me deparei com algo sobre o qual discorrerei em outra ocasião, a saber, a Dança Profética.
Os compositores modernos pelo visto perderam o senso bíblico. Letras vazias que dizem coisas absurdas como que “vão tirar o fôlego de Deus”, que vão “beijá-Lo”, “acariciá-Lo”. Não encontramos isso em nenhum relato de exemplo bíblico de adoração a Deus. Tudo isso ocorre porque o povo vive mergulhado em uma ignorância bíblica sem tamanho e quando surge alguém ou algum “ministério” trazendo algo empolgante e “novo” pronto caem no engodo.
Engana-se quem pensa que é apenas importante o que se fala ou canta, não é necessário e imperativo atentarmos para vida dessas pessoas por trás de suas canções e ministérios, pois como daremos crédito a alguém que leva o povo a crer no que dizem ou cantam se elas mesmas não se importam em viver de acordo com o que professam através de suas canções? Duvido piamente eu o Grupo Logos, tão conhecido em nosso meio, teria a aceitação e respeito que tem hoje se não vivesse aquilo que expressam e professam através de suas canções. Duvido que Jesus fosse aceito se suas palavras e ensinos fossem palavras ao vento. Mas vocês podem dizer: “eu só escuto as músicas e não me importo com a vida, pois cada um vai dar conta si”, mas será que a vida daquele que serve a Deus não deve estar de acordo com o que professa? Será que Paulo teria tido êxito em sua vida ministerial se as pessoas não vissem em sua vida uma imagem exata daquilo tudo que ele ensinava e pregava?
Temos que nos lembrar de que ao adorarmos a Deus estamos glorificando o Eterno por meio de uma vida sincera, honesta, santa e abnegada. Assim o que pregamos, cantamos e ensinamos devem estar de acordo com a nossa forma de viver. Os puritanos ingleses eram exemplos nesse aspecto, pois eles tinham toda a vida como uma forma de adoração plena a Deus. Temos muito ainda que aprender com esses gigantes da fé, mas antes e acima de tudo temos que aprender com o Mestre através de sua rica e bendita Palavra! Não nos entreguemos à mediocridade na adoração ao nosso Deus uma vez que fomos criados para o louvor de sua glória.

Que Deus nos ajude e tenha misericórdia de nós!!!

Soli Deo Gloria!!!
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2 comentários:

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Fomos criados para Adorar a Deus..é mais que palavras..mais que ir a uma Igreja..é reverencia, obediencia, compromisso..
Tudo com amor e não por obrigação..
É reconhecer que sem Ele não somos nada..
É honrá-lo com nossas vidas..
Um abraço
Andréa


visite tb meu blog Barnabelas..
Paz

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Fomos criados para Adorar a Deus..é mais que palavras..mais que ir a uma Igreja..é reverencia, obediencia, compromisso..
Tudo com amor e não por obrigação..
É reconhecer que sem Ele não somos nada..
É honrá-lo com nossas vidas..
Um abraço
Andréa


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