Não consegue evangelizar? Eis a solução!




E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações… (Mt 28:18,19a)
Acredito que não podemos ter uma noção coerente sobre missões se não tivermos uma visão coerente sobre essas palavras de Cristo; por isso, permita-me ser excessivamente didático. Quando eu digo: “Eu te amo. Portanto, quero ver-te feliz” ou “Eu te odeio. Portanto, não vou sair com você”, eu estou expressando motivos. Eu uso um “portanto” para dizer que quero ver-te feliz por que te amo ou para dizer que não vou sair contigo por que te odeio. No grego, isso é tão forte que o termo oun (ουν), aqui traduzido por “portanto”, também é traduzido como “por essa razão”.
O que Jesus está fazendo, nestas falas iniciais, é nos dar um motivo – uma motivação – para a obra missionária da Igreja. “É-me dado todo o poder no céu e na terra. Por essa razão, ide, fazei discípulos”. O que deve nos motivar para pregar o evangelho aos perdidos? Embora algumas motivações secundárias possam, em certo nível, ser úteis e até bíblicas – como amor ao próximo, consciência social e senso de dever – a motivação primária e principal apresentada por Cristo para nos dar força e valor na Obra Missionária é Ele próprio e Sua Soberania.
Se o próprio Jesus apresenta quem Ele é como força motivadora para o evangelismo, temos claro o meio bíblico para motivarmos uns aos outros e a nós mesmos para as Missões. É baseado em quem Cristo é que nós teremos força duradoura para ir, e em mais nada. É motivado pelos atributos do nosso poderoso Rei que nosso exercito caminhará para a batalha. Não existe outro motivo que nos leve a fincar a bandeira de Sião nos lugares mais longínquos senão o de estarmos maravilhados por contemplar a face do Supremo.
Eu, como jovem, muitas vezes não tive e não tenho forças para pregar o evangelho. Muitos são os fatores mundanos que me tentam a largar todo engajamento missionário para viver uma juventude confortável. Muitas vezes, quando leio a história dos mártires do Senhor, quando conheço os heróis da fé, os grandes homens da Bíblia, costumava (e costumo, às vezes) ficar triste e abalado. Contemplo meu próprio desleixo com a obra do Senhor e fico atônito. Muitas vezes, quero (e quero mesmo) abrir mão de tudo para viver por uma paixão por Cristo. O problema é que não tenho forças. Eu quero ir, mas algo me prende à cadeira, me fazendo ficar.
Então, como nós podemos conseguir forças para ir pregar o evangelho? Como vencer a timidez, a preguiça e a mornidão? Através do conhecimento de Deus. Não existe outro modo eficaz de nos motivar a fazer discípulos de Cristo. A força que precisamos está na gloria reluzente do Senhor, que brilha na face de Cristo. Conheçamos nosso Deus. Mergulhemos nas Escrituras e conheçamos os elogiáveis atributos dEle. Conhecer o Seu amor, graça, mansidão, paciência, misericórdia, ira, severidade, justiça, soberania, etc., nos fará ter uma visão do trono de Cristo e ter toda a motivação para ir. Como expressou R. B. Kuiper:
À acusação de preguiça, a igreja histórica só pode responder declarando-se culpada. Mas, que explica esta indolência?  Sem dúvida, muitos fatores contribuem para isso. Entretanto, o fator mais forte é a deficiência na vida piedosa. A igreja não tem sido tão [consciente] de Deus como deveria. Se a igreja tivesse vivido sempre com plena consciência do infinito amor de Deus, da eleição soberana de Deus, da aliança da graça de Deus, da soberana comissão de Deus, e da verdade de que o Deus da Bíblia é o único Deus vivo e verdadeiro, como também o Deus de toda a terra, ela teria sido incomparavelmente mais ativa na difusão do Evangelho. [1]
“Ora”, há quem diga, “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”. Muitas vezes, é isso que ouvimos de nossos amigos quando eles tentam nos mostrar que dois fatores não estão relacionados um com o outro, ainda que aparentemente estejam. Seja intencional ou não, nós acabamos adotando de modo exagerado este mesmo pensamento em nossa doutrina. Por isso, acabamos nos deparando com falsas dicotomias como “ou tolerância ao diferente ou firmeza doutrinária”, “ou amor pelos homossexuais ou combate à prática homoafetiva”, “ou profundidade teológica ou dedicação à evangelização”. Creio que não exista um único cristão neste país que não tenha obtido contato com estas falsas oposições – pontos que deviam estar juntos, como teologia e evangelismo, mas que são tratados como inimigos entre si. Corremos o risco de separar aquilo que Deus uniu.
Este mesmo erro já atingiu o modo como nós pensamos sobre o Ser de Deus. O nosso pensamento é que a pessoa de Deus e Seus atributos é um assunto metafísico, intangível, inteligível e até metafórico. Dedicar-nos a estudar sobre soberania, autoexistência, trindade e onipresença soa como “coisa de teólogo”, mero capricho intelectual ou pura perca de tempo. Achamos que o que é palpável é melhor – e como não seria? Com tantas vidas perdidas, tantos crentes fracos, tantos pecados a vencer e tantos pobres a ajudar, como poderemos gastar nosso tempo tentando entender algo que não nos servirá para nada além de intermináveis debates acalorados?
Nada mais enganoso! Não há como fugir da realidade de que pensar sobre Deus não é algo meramente metafísico, mas algo que influencia de modo crucial a nossa vida. A Escritura testifica claramente sobre isto.
Conhecer ao Senhor nos fará crentes fortes e poderosos. “o povo que conhece ao seu Deus se tornará forte e fará proezas” (Dn 11:32). Entender sobre o Senhor não é um tema de escritório ou de bibliotecas, é um assunto para discipulados, aconselhamentos e pregações. Crentes fracos e desanimados precisam conhecer o Rei dos Reis a fim de adquirirem aço em seus músculos espirituais. Está precisando de força para evangelizar? Conheça a Deus!
Conhecer ao Senhor nos fará crentes animados. Paulo tinha todos os motivos para desanimar em seu ministério. Todos, menos um: “tendo este ministério, segundo a misericórdia que nos foi feita, não desfalecemos” (2 Co 4:1). Por que ele não desfalecia? Por que ele entendia que o serviço era uma manifestação das misericórdias de Deus. Está pensando em desistir de pregar? Conheça a Deus!
Conhecer ao Senhor nos fará crentes maravilhados. Foi o que aconteceu com Paulo. Após falar sobre pontos dos mais controversos sobre teologia, envolvendo assuntos como sofrimento, predestinação e o papel dos judeus na nova aliança, ele louva a Deus, maravilhado: “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” (Rm 11:33). Não há como não ficarmos atônitos diante de beleza tão sublime. Muitos viajam por vários países e gastam fortunas a fim de encontrar algo que os deixe maravilhados. Possuímos a maior maravilha do universo como Pai – como negligenciá-Lo? Quer ficar mudo diante de tanta beleza, ao ponto de não aguentar ficar sem compartilhar essa beleza aos outros? Conheça a Deus!
Conhecer a Deus nos fará crentes adoradores. Os Salmos deixam muito claro que adoraremos ao Senhor motivados pelo que conhecemos Dele. “Louvai ao SENHOR, porque ele é bom; porque a sua benignidade dura para sempre” (Sl 136:1), “Louvarei o teu nome pela tua benignidade, e pela tua verdade; pois engrandeceste a tua palavra acima de todo o teu nome. [...] Todos os reis da terra te louvarão [...] e cantarão os caminhos do SENHOR; pois grande é a glória do SENHOR.” (Sl 138:2,4,5) e “Eu te louvarei, porque de um modo assombroso, e tão maravilhoso fui feito; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem” (Sl 139:14) só para citar alguns poucos exemplos. Quer ser um adorador em espírito e em verdade e levar outros a o serem também? Conheça a Deus!
Conhecer ao Senhor nos fará crentes motivados. Qual a motivação que Cristo deu para seus Apóstolos e para todos nós na Grande Comissão? Seu Poder: “É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos” (Mt 28:18-19). É por que Cristo recebeu todo o poder em Sua ressurreição que temos um motivo para evangelizar. Está desmotivado para ir por todo mundo? Conheça a Deus!
Muitos são os exemplos de pessoas que encontraram no conhecimento de Deus força para proclamar as boas-novas pelo mundo. Observaremos no próximo post o testemunho de John Piper.
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1 comentários:

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A Paz de Cristo Jesus,

Parabéns pelo seu post!!!

Fico feliz em poder participar do seu espaço expressando o meu pensamento a respeito do tema em questão:
Ser alimentados pela Palavra, na unção do Espírito Santo, nos faz crentes robustos na fé, que destemidamente fala a Verdade, pregando a tempo e fora de tempo.

Que a Paz que excede todo entendimento, guarde o seu coração.

A propósito, se ainda não estiver seguindo o meu blog, deixo aqui o convite.

Em Cristo,

***Lucy***

P.S. Visite também:
http://discipulodecristo7.blogspot.com/