O que levou John Piper a ser pastor?



No post passado, falamos sobre o conhecimento de Deus ser uma força motivadora para a obra missionária. Agora, para tomarmos um exemplo concreto, vamos olhar um pouco para o famoso pregador americano John Piper, tão conhecido e amado nas terras brasileiras.
Ele narra um pouco de sua história em um sermão sobre Romanos 9, pregado dia 3 de novembro de 2003 na Bethlehem Baptist Church, em Minneapolis, Minnesota [1]. Ele conta sobre o outono de 1979, quando tirou uma licença de seu cargo de professor na Faculdade Betel. Sua intenção era se dedicar a estudar o capítulo 9 de Romanos e escrever um livro sobre o que este texto significa (publicado como “The Justification of God”). Porém, ele mesmo diz que o resultado final daquela licença foi completamente inesperado. Seus estudos sobre a carta de Paulo aos Romanos foi tão profundo que ele ficou maravilhado com a Soberania e Supremacia de Deus sobre todas as coisas. Como ele descreveu: “À medida que fui estudando Romanos 9 dia após dia, comecei a ver um Deus tão majestoso e tão livre e tão absolutamente soberano que minha análise resultou em adoração”. Então, ele largou a segura vida de acadêmico, indo até contra os conselhos do pai, para se dedicar à “loucura da pregação” (1 Co 1:21). Nas palavras do próprio Piper: “Não hesito em dizer que por causa de Romanos 9 deixei de ser professor de seminário para ser pastor. O Deus de Romanos 9 tem sido a fundação sólida de tudo que tenho dito e feito nos últimos 22 anos”. Em seu livro sobre o amor a Deus e a erudição cristã, ele nos elucida ainda mais:
The Justification of God é o livro mais complicado e mais intelectualmente exigente que já escrevi. Aborda questões teológicas complicadas e um dos textos mais difíceis da Bíblia. Entretanto, ironicamente, a pesquisa e a escrita desse livro foi o que Deus usou para inflamar meu coração para o ministério pastoral e de pregação. Escrever esse livro muito difícil a respeito da soberania de Deus não foi desanimador: foi inflamador. Este era o Deus que eu queria proclamar, mais do que tudo – e não apenas explicar.
No entanto, foi o explicar que incendiou o proclamar. Nunca esqueci isso. [...] Nunca o esqueci porque ainda é verdadeiro. O salmista disse: “Enquanto eu meditava, ateou-se o fogo; então, disse eu com a própria língua” (Sl 39.3). Considerar. Meditar. Ponderar. Pensar. Quanto a mim, esse tem sido o caminho para ver, experimentar, cantar e proclamar – e permanecer. Ano após ano, este tem sido o meu trabalho – pensar, saturado de oração, em dependência do Espírito, sobre o que Deus tem revelado de si mesmo, para prover o combustível para o amor e a pregação. [...] o pensar em submissão à poderosa mão de Deus, o pensar saturado de oração, o pensar guiado pelo Espírito Santo, o pensar vinculado à Bíblia, o pensar em busca de mais razões para louvar e proclamar as glórias de Deus, o pensar a serviço do amor – esse pensar é indispensável em uma vida de pleno louvor a Deus. [2]
Esse é um exemplo claro das palavras de Jesus se cumprindo na vida de algum de Seus seguidores. O que motivou John Piper a lagar a vida de acadêmico, o reconhecimento, o respeito, a comodidade, para, com dois filhos para criar e um terceiro a caminho, se colocar à disposição de alguma igreja que, porventura, desejasse chamá-lo? O que faz um homem estabilizado na vida largar tudo para proclamar as verdades de Deus aos outros? É o se debruçar sobre as Escrituras e conhecer Aquele que nos fará ficar tão maravilhados que não poderemos nos calar. Ele mesmo, quando indagado sobre onde aprendeu a pregar, respondeu:
Eu acho que a maneira pela qual eu me tornei um pregador foi por ter sido apaixonadamente excitado pelo que eu estava vendo na Bíblia através do seminário. Apaixonadamente excitado! Quando Filipenses, Gálatas, Romanos e o Sermão do Monte começaram a se abrir para mim em classes de exegeses (não homiléticas, mas exegéticas), tudo em mim estava sentido algo como: “Eu quero dizer isso para alguém! Eu tenho que achar um jeito de dizer isso para alguém porque isso é demais! Isso é incrível!”. Então, para pregadores que vão a todo lugar, menos na Bíblia, para achar alguma coisa interessante, cintilante ou apaixonante para pregar, eu não os entendo. Eu simplesmente não entendo nada disso. Porque eu tenho que trabalhar duro para deixar a Bíblia e ir a outro lugar a fim de achar uma ilustração, pois tudo na Bíblia está me fascinando. E é esse senso de ser fascinado pelo que está na Bíblia – pelo Deus que está na Palavra, por Cristo que está na Palavra, pelo Evangelho que está na Palavra, pelo Espírito que está na Palavra e pela vida que está na Palavra – sendo fascinado por isso, eu apenas digo, “Isso tem que sair!”. [3]
Tal testemunho lembra muito a acertada declaração de Spurgeon: “Não ganharão almas para Cristo até que o Evangelho seja como um fogo em seus ossos, e sintam que, ai de vocês se não pregarem o Evangelho”[4]. Se Jesus estava certo ao colocar algo sobre quem Ele é como nossa motivação para a pregação do evangelho, buscar conhecimento de Deus através do estudo da Escritura vai pôr fogo em nosso coração, o que nos dará a força que precisamos para cumprir a ordem de fazer discípulos. Então, no lugar destas inúmeras conferências sobre missões e esses cursos sobre evangelismo, vá para uma conferência ou para um curso sobre quem Deus é e sobre Suas obras sobre a terra. Aquele velho jargão demoníaco de que “teologia esfria o crente” é evidentemente falso. Nada pode acender fogo mais duradouro no coração do cristão do que o Espírito Santo atuando através do conhecimento da Palavra. Leia sobre Justificação, Redenção, Expiação e Glorificação. Como o Salmista, implore ao Senhor: “Desvenda os meus olhos, para que eu veja as maravilhas da Tua lei” (Sl 119:18). Estude sobre o que Deus fez na vida de Noé, Jacó, Moisés e Jó. Não há nada que te fará ter mais anseio por pregar do que o conhecimento das obras do Pai.
Uma das razões porque não temos ou temos pouca motivação para viver a vida cristã é porque “o meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento” [Os 4:6]. Eles não entendem quem Deus é, quem eles eram, o que Cristo fez, o que se tornaram e o futuro que os aguarda; e, portanto, carecem de todos os estímulos e as emoções para entregarem verdadeiramente suas vidas a Cristo. Vivemos em uma era que diz “eu não quero nada dessa coisa de doutrina; eu só quero Jesus”, “eu não quero nada dessa coisa de teologia; eu só quero a Deus”. [...] Nós não sabemos nada da espetacular natureza eterna de Cristo e, por isso, não podemos compreender verdadeiramente o que significa que o Filho de Deus veio morrer por nós. [...] Assim, não conseguimos ficar animados com isso. [...] A razão porque carecemos da motivação para seguir a Cristo com todo nosso coração é porque não sabemos quem Deus é, quem nós éramos e o que Ele fez por nós na pessoa de Jesus Cristo. [5]
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