As escrituras em primeiro lugar



Não é possível discorrermos sobre qualquer assunto sem que tenhamos uma compreensão das Sagradas Escrituras em sua forma original, sem as corrupções das traduções. Traduções erradas sempre produzem crenças erradas.

Ao longo dos séculos, pessoas e mais pessoas vêm construindo crenças e raciocínios sobre textos traduzidos, com os significados que as palavras possuem em seus idiomas, além das palavras que os tradutores inserem conforme o seu próprio critério e sua própria interpretação. As palavras possuem significados, e o entendimento do significado de cada palavra, tanto no momento de pronunciarmos (ou escrevermos) como no momento de ouvirmos (ou lermos), é que proporciona uma perfeita comunicação e compreensão. Palavras que possuam um significado para uma pessoa, mas possuam outro significado para outra pessoa, certamente irão causar dificuldades de comunicação e de entendimento. Palavras usadas indevidamente, seja intencionalmente ou por desconhecimento, também acarretam os mesmos problemas de comunicação e entendimento. Quando se trata das Sagradas Escrituras, temos de considerar sempre o fato de que elas foram inspiradas (só os originais) pelo Criador YAOHUH UL, e escritas com palavras segundo o significado que o Criador considera acerca de cada uma. Portanto, se quisermos ter uma perfeita compreensão nessa comunicação, que é do Criador para nós, por meio da palavra escrita, não podemos nos furtar a recorrer ao texto hebraico, e buscar o real significado de cada palavra no hebraico. Isso então significa que todas as pessoas têm a obrigação de aprender hebraico? Não. Isso não é o que estamos aqui afirmando. O que estamos afirmando é que, se as palavras dos textos em hebraico tivessem sido traduzidas adequadamente, trazendo para o nosso idioma os mesmos significados originais, ninguém precisaria aprender hebraico para ter perfeita compreensão. Como as traduções não são inspiradas, e em alguns pontos pouco confiáveis ou mesmo erradas, então surge a necessidade de fazermos esse trabalho, quando precisamos discorrer sobre determinado assunto. Assim, é preferível fazer a análise escritural sobre o hebraico em cima dos textos e versos pertinentes a um determinado assunto, como aqui o faremos.

Em que situação se encontram os mortos ?

O ponto focal de todas as doutrinas sobre esse assunto, em todas as crenças, se resume a um único: tem, o ser humano, consciência, após a morte do corpo físico? Daí se originam outras questões como: Se tem, onde, ou como, ele estará? Que palavras são usadas no hebraico acerca disso, e que conceitos podem ser extraídos das palavras hebraicas acerca desse assunto? Acaba, a consciência, com a morte do corpo? Prossegue, a consciência, além da morte do corpo? Os mortos vão para algum lugar? Ou deixam de existir completamente até a ressurreição? Só poderemos responder a essas perguntas se observarmos atentamente as palavras originais hebraicas, com seus respectivos significados, compondo os textos que direta ou indiretamente falam sobre isso. O que quer que as escrituras hebraicas não informem, não podemos concluir, nem imaginar. Limitamo-nos ao que as escrituras hebraicas nos informam; contudo, elas nos informam o suficiente para podermos concluir.

Para começarmos nossas considerações sobre esse assunto, primeiramente é necessário dividir as épocas em duas partes: antes da vinda de YAOHUSHUA e após a vinda de YAOHUSHUA. Nesse momento não irá ficar clara a razão de dividirmos as considerações em duas épocas, mas ao longo do texto iremos perceber as diferenças entre essas épocas. É muito importante sabermos que existem duas raças, muito parecidas externamente, que coabitam a terra, embora sejam, de fato, duas raças diferentes. Há seres humanos da raça "adâmica", conforme a descendência de "ha-adam", o ser vivente (nefesh khayao), e há também seres renascidos conforme a natureza de YAOHUSHUA, O Espírito Vivificante (Rukha Khayao). As escrituras nos ensinam acerca de um renascimento pela fé em YAOHUSHUA, e é fundamental que seja estudado o texto sobre esse assunto antes de prosseguir. Clique aqui para estudar sobre o novo nascimento.

PRIMEIRA PARTE - ANTES DA VINDA DE YAOHUSHUA

Definindo as palavras

Para começarmos é fundamental que o significado de cada palavra seja compreendido, para que possamos ter um entendimento uniforme.




NEFESH



Essa palavra hebraica é usada em relação a todos os animais sobre a terra, que foram criados. As escrituras não se referem às plantas ou a qualquer ser vivo não-respirante com a palavra "nefesh". "Nefesh" é basicamente um "ser" e quando ocorre "nefesh khayao" tem o significado de um "ser vivo". O texto abaixo é o verso 24 do capítulo 1 de Bereshiyt, onde é mostrada a criação dos animais terrestres. A esses foi usada a expressão "nefesh khayao" no hebraico. Seres viventes. Em princípio, vemos o termo "nefesh" ser usado em relação aos seres terrestres respirantes, com fôlego. A tradução de "nefesh" por "alma" não traduz o sentido com exatidão, em princípio, enquanto não definirmos o que significa a palavra "alma" na língua portuguesa, o que faremos mais adiante em nosso estudo. Mais abaixo você encontra o verso 7 do capítulo 2 de Bereshiyt, onde também o ser humano é mencionado como "nefesh khayao".




Bereshiyt (Gênesis) - capítulo 1 verso 24



E disse Ulhim: Produza a terra criatura [ser] vivente, conforme a sua espécie; fera [animal selvagem], réptil, o que vive na terra, segundo a sua espécie. E assim se fez.



Aqui vemos a expressão "nefesh khayao" (ser vivente) sendo usada em relação aos animais terrestres. Tal expressão não foi utilizada antes, quando da criação de todos os vegetais.




Bereshiyt (Gênesis) - capítulo 2 verso 7




E modelou YAOHUH (IÁORRU) Ulhim o homem [ser humano], barro [pó] do solo, e soprou em suas narinas o fôlego de vida; e o homem [ser humano] se tornou um ser vivente.



Aqui vemos o ser humano (adam) sendo mencionado, igualmente, como "nefesh khayao", do mesmo modo que os animais terrestres. Segundo a composição física, material, o ser humano se torna um ser vivente respirante, do mesmo modo que os animais.




ADAM



É o homem natural. A palavra "adam" é originada da palavra "adamah" que significa solo, chão, terreno, de onde o homem foi formado, segundo as escrituras. Esse homem, formado do barro da terra, é mais um dos "nefesh khay" criados por ULHIM. As escrituras mostram que o homem foi criado do barro da terra, e que o criador soprou o fôlego em suas narinas, tornando-se ele mais um entre os "nefesh khayao". Os versos abaixo mostram o alagamento de todo o solo, motivo pelo qual só poderia haver barro, e não pó, e a formação do ser humano (adam) a partir do "adamah", tornando-se ele mais um "nefesh khayao". A palavra hebraica "adam" jamais foi um nome próprio, senão apenas tem o significado de "ser humano", ou, se fôssemos traduzir ao pé-da-letra, ele seria o "barroso" (ou "terroso"). "Adam", feito do "adamah", "barroso" feito do "barro" (ou "terroso" feito da "terra"). Essa seria uma tradução bem literal, só para facilitar o entendimento. Os tradutores, por conta própria, decidiram, em determinado ponto da tradução, chamar o primeiro homem pelo nome "Adão", como se fosse um nome próprio de pessoa, embora "adam" não seja um nome próprio pessoal, senão apenas uma classificação genérica da espécie humana. Em princípio, nascemos todos "barrosos" (ou "terrosos"), como preferir chamar. Essa é a nossa espécie. Confira abaixo nos versos 6 e 7 do capítulo 2 de Bereshiyt. A tradução de adam por "ser humano" é menos literal, mas proporciona um claro entendimento do significado da palavra.




Bereshiyt (Gênesis) - capítulo 2 verso 6



E uma fonte [manancial] brotou da terra e alagou [embebeu] toda a face do solo.






Bereshiyt (Gênesis) - capítulo 2 verso 7




E modelou YAOHUH (IÁORRU) Ulhim o homem [ser humano], barro [pó] do solo, e soprou em suas narinas o fôlego de vida; e o homem [ser humano] se tornou um ser vivente.



Aqui vemos com mais clareza a relação entre "adamah" e "adam". "'Aphar min-ha-adamah", o "barro do solo" do qual o homem foi feito. É ainda de interesse observar que na sequência do relato, o homem foi criado após um alagamento do solo, o que traz maior compreensão em considerarmos "barro do solo" com preferência sobre "pó do solo", como encontrado em outras traduções.





TZELEM





DEMUTH




Seria então, o ser humano, somente um animal mais inteligente, porém igual a todos os demais "nefesh khayao"? As escrituras mostram algo em relação ao ser humano (adam, o "barroso"), que elas não mostram em relação aos demais animais, que também são "nefesh khayao". Vamos atentar para o verso abaixo e compreender essa enorme diferença:




Bereshiyt (Gênesis) - capítulo 1 verso 26





E disse Ulhim: Façamos um homem [ser humano] à Nossa imagem, conforme a Nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, as aves dos céus, os animais, toda a terra e todos os répteis que rastejam sobre a terra.



Nesse verso observamos dois aspectos da maior relevância. Primeiramente percebemos o verbo "fazer" na primeira pessoa do plural como "façamos". Em seguida observamos as palavras "tzelem" (imagem) e "demuth" (semelhança) nas formas possessivas da primeira pessoa do plural "tzalmnu" (nossa imagem) e "demutnu" (nossa semelhança). Isso é uma evidência escritural insofismável da atuação de mais de um Ser Criador (ULHIM), apesar dos unicistas distorcerem o quanto podem as escrituras, a ponto de afirmarem que o Criador "gosta" ou "tem preferência" por falar na primeira pessoa do plural em relação a Si mesmo, ou que a primeira pessoa do plural tenha algum significado majestoso ou de poder. Ao longo de toda a escritura vemos o Criador YAOHUH UL falando na primeira pessoa do singular, e por que razão somente nesse verso Ele iria "preferir" a primeira pessoa do plural? Numa situação onde uma ação era necessária, como foi o caso de "Babel", o Criador usou também o verbo no plural quando disse: "Desçamos e confundamos". Pode-se até considerar, embora não endossando, que esse plural específico se referisse às hostes celestiais, porque afinal era um trabalho a ser feito que não tinha relação com criação. Confundir a linguagem do povo era uma tarefa que poderia ser cumprida pelas hostes celestiais, e isso não envolvia criação alguma. Porém, no caso do verso 26 acima, ao surgir a palavra "façamos", isso já implica em criação, e não há hipótese possível de o verbo estar no plural por inclusão das hostes celestiais, por dois motivos: primeiro, se o verbo "façamos" se referia ao Criador e mais as hostes celestiais, então as hostes celestiais também participaram da criação, e temos então milhares de milhares de criadores, o que não é fato; segundo, ao dizer "nossa imagem e nossa semelhança", certamente não há como supor que o "nossa" se referisse às hostes celestiais também, porque as hostes celestiais não foram criadas à imagem e semelhança do Criador, e nós não fomos criados à imagem e semelhança de hostes celestiais. Aqui o verbo e as formas pronomiais hebraicas estão na primeira pessoa do plural (nós), e isso não representa nenhum aspecto de majestade do Criador, ou poder, ou qualquer outro atributo, visto que YAOHUH UL fala no singular ao longo de toda a escritura; não se refere às hostes celestiais, porque não fomos criados por elas co-participando com YAOHUH UL da criação, e nem à semelhança delas, gostem os unicistas ou não. Contudo, a apresentação de YAOHUH ULHIM, YAOHUSHUA ULHIM e RUKHA ULHIM já foi explicada em detalhes no estudo Seu Nome nesse site, não havendo necessidade de nos alongarmos nesse ponto.

O segundo aspecto relevante é o fato de que o ser humano (adam, o "barroso") foi o único entre todos os "nefesh khayao" a receber a imagem (tzelem) e a semelhança (demuth) do Criador. Qual é essa "imagem" do Criador? Ora, YAOHUSHUA é o Criador Filho, o "Davar-YAOHUH", e Ele próprio disse: "Quem vê a mim, vê ao Pai", obviamente porque o Filho não poderia nunca ser diferente do Pai. Muitas vezes, o ser humano, em sua soberba, pensa que YAOHUSHUA, quando veio ao mundo, "adquiriu" a nossa imagem, ignorando o fato de que YAOHUSHUA é antes de todas as coisas. Certamente não era YAOHUSHUA que seria a imagem dos homens, mas sim os homens são todos à imagem de YAOHUSHUA. Contudo, a questão da imagem não é o ponto mais relevante aqui, senão a semelhança. YAOHUSHUA disse: "ULHIM é espírito". Ora, se fomos feitos à semelhança de ULHIM, certamente somos também espírito, característica essa que não é compartilhada por nenhum dos demais seres viventes (nefesh khayao). A nenhum outro ser vivente (nefesh khayao) o Criador jamais Se referiu como "tzalmnu" (nossa imagem) ou "demutnu" (nossa semelhança). YAOHUH é espírito, YAOHUSHUA é espírito, RUKHA é espírito, e os seres humanos são espírito. Foram as próprias palavras do Criador que nos evidenciaram isso, nas Sagradas Escrituras.

É muito importante notarmos que YAOHUSHUA sempre existiu em espírito antes que viesse ao mundo com um corpo físico "adâmico", se é que podemos usar essa palavra. Ele existia, e por meio dEle todas as coisas foram criadas, e sem Ele nada do que foi feito se fez, antes que viesse e fosse feito carne (corpo) conforme "adam".

Observe o verso abaixo, e verá essa diferença entre os seres humanos e os animais com mais clareza ainda:




Iyyov (Jó) - capítulo 12 verso 10



Pois na Sua mão está a vida [ser, alma, fôlego] de todo vivente e o espírito de toda a raça humana.



Nisso vemos que o verso diz que o "nefesh" (vida, fôlego) de todo vivente (de fato, "nefesh khayao") está na mão de YAOHUH UL, e isso inclui a nós, seres humanos, porque somos, fisicamente, "nefesh khayao", como todos os animais; contudo, o verso vai além e somente para os seres humanos ele especifica que o espírito também está na mão de YAOHUH UL. O ser humano é espírito, e os animais não.

A tabela abaixo nos mostra do que é composto o ser humano, escrituralmente:




+ + + =
APHAR MIN-HA-ADAMAH NEFESH TZELEM DEMUTH ADAM
BARRO
DO SOLO VIDA
ALMA IMAGEM
(DO CRIADOR) SEMELHANÇA
(DO CRIADOR) SER HUMANO
(BARROSO)



Prossigamos, então, conhecendo o significado original das palavras, segundo as escrituras:





QEBURAH





QEBER




Essas palavras hebraicas possuem, individualmente, o significado de sepultura, num sentido físico. É simplesmente aquele buraco cavado na terra, segundo o dito popular, com "sete palmos" de profundidade, com a finalidade de sepultar os mortos. "Qeber e Qeburah" só possuem um sentido físico, mas nenhum sentido espiritual. Os cemitérios estão repletos de "qeberot" (sepulturas), os lugares físicos onde os mortos são sepultados. A palavra cemitério, em hebraico, é "beit-queberot", que traduzido ao pé-da-letra seria "casa das sepulturas". Confira nos versos abaixo algumas ocorrências escriturais onde essas palavras são utilizadas, evidenciando um sentido puramente físico.




Bereshiyt (Gênesis) - capítulo 35 verso 20



E colocou Yaohukaf uma coluna sobre sua sepultura ("qeburah"); esta é a coluna da sepultura ("qeburah") de Rakhel até esse dia.



Aqui o verso trata de um lugar físico, a sepultura de Rakhel. A palavra usada para sepultura é "qeburah" e indica no texto o lugar físico onde foi depositado o corpo de Rakhel. Nesse mesmo lugar físico, Yaohukaf (corrompido como 'Jacó') colocou uma coluna, como mais uma evidência de significado físico para "qeber/qeburah".




Bereshiyt (Gênesis) - capítulo 50 verso 5




Meu pai me fez jurar dizendo: Eis que eu morro; no meu sepulcro ("qeber"), que cavei para mim na terra de Kanaan, ali me sepultarás ("qabar"). Portanto, deixa-me subir agora e sepultar meu pai, e (depois) voltarei.



Aqui o sentido físico de "qeber" ainda mais se evidencia, com o fato de mostrar "qeber" como um buraco que foi cavado na terra. O verbo sepultar também se apresenta da mesma raiz (qabar), sendo esse o simples descer físico de um corpo à sepultura.




Números - capítulo 19 verso 16



Qualquer que tocar, no campo aberto, alguém morto pela espada, ou outro morto, ou um osso de um homem, ou uma sepultura, ficará impuro por sete dias.



Aqui, igualmente, o sentido físico de "qeber" mais se evidencia, com o fato de que é um lugar que, se alguém tocasse (fisicamente), ficaria impuro por sete dias. "Qeber" é um lugar físico ao alcance das mãos, porque pode ser tocado.





PAKHATH





BOR




Essas palavras hebraicas significam, individualmente, cova ou buraco. É um buraco cavado no solo. Do mesmo modo que "qeber" e "qeburah", "bor" e "pakhath" possuem um sentido puramente físico, sendo, no sentido de "cova", um sinônimo de "qeber" e "qeburah". Confira nos versos abaixo algumas ocorrências escriturais onde essas palavras são utilizadas, evidenciando um sentido puramente físico.




Êxodo - capítulo 21 verso 33



E se abrir, um homem, um buraco (cova), ou se cavar, um homem, um buraco (cova), e não o cobrir, e cair nele um boi ou um jumento.



Aqui o sentido físico de "bor" se evidencia, com o fato de mostrar que é um lugar cavado no solo, onde bois ou jumentos podem cair. Nenhum sentido espiritual.




2 Shamuul - capítulo 18 verso 17




E eles tomaram a Absalom e o lançaram numa grande cova [buraco] na mata [bosque], e amontoaram grande monte de pedras sobre ele; e todo o Yaoshorul fugiu, cada um para sua tenda.



Aqui o sentido físico de "pakhath" se evidencia, com o fato de mostrar que é um lugar no solo, onde lançaram o corpo de Absalom, e sobre ele amontoaram pedras. Nenhum sentido espiritual.





SHEOL




Essa palavra é desprovida de sentido físico, e muitas vezes traduzida indevidamente por "inferno", "sepultura", "cova" ou "túmulo". A palavra hebraica "sheol" possui um sentido puramente espiritual, não se referindo a um lugar físico. A forma mais clara de traduzir "sheol" seria "lugar espiritual dos mortos". Não obstante o fato das escrituras se referirem ao "sheol" associado ao verbo "descer", é benéfico ao nosso entendimento pensar sobre o "sheol" como uma "condição" ou "situação" dos mortos, em vez de uma posição física. A palavra "sheol", pelo seu significado, já implica diretamente numa "existência espiritual" fora do corpo, como existência desprovida do corpo físico. As escrituras associam a morte do corpo ao consequente "descer ao sheol", e embora o corpo igualmente "desça" à sepultura (qeber), o "descer ao sheol" não traz o mesmo significado físico, e não se refere ao corpo. Isso veremos nos versos apresentados a seguir, sobre os quais comentaremos, um a um, individualmente. Não esqueça o leitor, que estamos tratando aqui de toda a época anterior à vinda do Messias YAOHUSHUA. Os conceitos sobre o assunto que são posteriores à vinda de YAOHUSHUA, ainda trataremos mais adiante.




Bereshiyt (Gênesis) - capítulo 37 verso 35




E levantaram-se todos os seus filhos e todas as suas filhas para o consolarem; ele porém recusou ser consolado e disse: Chorando, descerei a meu filho até o lugar dos mortos (sheol). E de fato o chorou seu pai.



Aqui há dois pontos fundamentais para análise: o primeiro deles é que Yaohukaf (corrompido como 'Jacó') se negou a ser consolado; o segundo deles é que as traduções usam a palavra "sepultura" erradamente para traduzir "sheol". É preciso entender a situação de Yaohukaf e suas palavras em função da situação. Yaohukaf se negou a receber consolo, e colocando suas palavras de forma mais clara, o que ele disse foi: "No dia em que eu morrer ainda estarei chorando, e descerei até meu filho ainda chorando, até o "sheol". Yaohukaf não queria consolo, ele não queria parar de chorar pelo seu filho. Suas palavras refletem muito bem o sentido de "ainda estarei chorando no dia que eu morrer e descer até meu filho no lugar dos mortos (sheol)". Como é muito óbvio que ele não pretendia se suicidar, é fácil entender que ele simplesmente expressava sua dor como um pranto contínuo até o dia que ele descesse até seu filho no "sheol".

A tradução de "sheol" por sepultura, nas edições traduzidas, retiram por completo o sentido do que o texto mostra, além de beirar o ridículo, pelo fato de que Yaohukaf não poderia jamais descer e encontrar seu filho numa sepultura, visto que ele acreditava que seu filho havia sido comido por animais, e portanto, não foi e não seria jamais sepultado. Nenhum relato escritural após Yaohukaf ter recebido a notícia da morte de seu filho aponta para qualquer busca pelos restos mortais de Yaohusaf (corrompido como 'José'). As palavras de Yaohukaf não significam que ele iria buscar os restos mortais de seu filho para descer à sepultura, mas sim que ele choraria até o dia que ele próprio descesse ao lugar dos mortos (sheol). É óbvio também, que tal busca por restos mortais não seria permitida pelos seus outros filhos que tentavam acobertar o que fizeram ao irmão, e tal sepultamento jamais ocorreu, visto que Yaohusaf estava vivo no Egito. Vemos, pois, aqui, um conceito de "sheol" totalmente desligado do físico, e totalmente desligado do conceito de sepultura. Nenhuma sepultura esteve jamais envolvida nesse relato, visto que Yaohusaf, além de estar vivo, seu pai acreditava que ele havia sido comido por animais, não tendo sido depositado nem num "qeber", nem num "bor", nem num "pakhath". Contudo, de acordo com o que Yaohukaf acreditava acerca do relato de seus filhos, suas palavras mostram claramente o conceito de um "lugar dos mortos", onde a palavra que ele usou não foi "qeber", nem "bor" e nem "pakhath", mas sim, "sheol". Observe também que esta é a primeira referência que utilizamos onde o "sheol" está relacionado ao verbo "descer". Antes de prosseguirmos com as considerações sobre o "sheol", vamos constatar duas palavras adicionais, igualmente importantes para o nosso entendimento, as quais formam uma expressão junto com a palavra "sheol", identificando assim não só um "sheol", mas dois, embora seja mais real pensarmos em duas "regiões" de um mesmo "sheol".





SHEOL TAKHTIY





AMOQ SHEOL




A palavra "amoq", por si só significa "fundo", "profundo", "abissal", "insondável". A palavra "takhtiy" (pronunciada 'tartí'), por si só significa "inferior", "profundo". Quando associadas a "sheol" nos definem o que as escrituras mostram, ou seja, um "sheol profundo" ou "sheol abissal". O primeiro aspecto que percebemos é que, se "sheol" já não tinha nenhuma relação com sepultura, muito menos agora, quando as escrituras nos mostram um "sheol profundo", ou um "sheol abissal", o que não poderíamos jamais pensar que fossem os poucos palmos que são cavados na terra para sepultamento dos mortos. A palavra "sheol" vem sendo erroneamente traduzida por "inferno" e por "sepultura" ao longo de todas as traduções, pela total falta de entendimento espiritual dos tradutores, que simplesmente buscam alguma palavra que faça algum sentido para a mente deles, que infelizmente não consegue compreender coisas espirituais.

Dessa palavra "takhtiy" surgiu uma palavra parecida que muitos chamam de "tártaro", e erroneamente consideram esse suposto "tártaro" como um "inferno pior", como se o "sheol" significasse realmente "inferno", o que não é fato. "Sheol" é simplesmente "lugar dos mortos", e "sheol takhtiy" ou "amoq sheol" é um "lugar profundo dos mortos". Dessa junção das palavras "sheol" com "amoq" ou "takhtiy" surgiram conceitos e traduções erradas, como "profundezas do inferno", o que não é correto. O que é correto é que as escrituras nos apresentam um "lugar dos mortos" (sheol) e um "lugar profundo dos mortos" (sheol takhtiy ou amoq sheol), e é sábio nos limitarmos ao que as escrituras dizem, até que possamos perceber as diferenças entre o "sheol" e o "sheol takhtiy" ou "amoq sheol". Vamos observar versos que falam do "sheol takhtiy" e do "amoq sheol" antes de voltarmos aos versos do "sheol".




Deuteronômio - capítulo 32 verso 22



Porque um fogo se acendeu na Minha ira, e queimará até ao lugar profundo dos mortos ("sheol takhtiy"); consumirá a terra e suas messes e porá em fogo os fundamentos das montanhas.






Salmos - capítulo 86 verso 13



Pois grande é a Tua misericórdia para comigo, e Tu livraste o meu ser [vida, alma] do lugar profundo dos mortos ("sheol takhtiy").



Nos dois versos acima é utilizada a palavra "takhtiy" identificando um "sheol profundo" ou "lugar profundo dos mortos". Em especial no verso 13 do Salmo 86, acima, vemos a palavra "nefesh" sendo usada, a qual pode ser traduzida por "ser", "vida" ou "alma". O salmista louva ao Criador nesse salmo por ter livrado sua vida, ou alma, do lugar profundo dos mortos, o que significa, obviamente, que se o Criador não o tivesse livrado, seria para lá que sua alma teria ido, sendo, portanto o "sheol", e especificamente o "sheol takhtiy" nesse verso, um lugar para onde os seres, almas ou vidas podem ir. Novamente, ninguém pode pensar que um "lugar profundo" seja uma simples sepultura.




Provérbios - capítulo 9 verso 18



E (ele) não sabe que os mortos (estão) lá, e no lugar profundo dos mortos, os seus convidados.



Nesse verso acima, a palavra usada é "amoq", trazendo porém o mesmo sentido de um "sheol profundo" ou até mesmo de um "sheol abissal". Qualquer semelhança, pois, do sheol com uma sepultura cavada na terra é totalmente desfeita aqui.

Voltemos, então, às considerações sobre o "sheol".

Muitas pessoas, com sinceridade no coração, são enganadas pelas traduções errôneas que as conduzem a conclusões divergentes dos conceitos escriturais. Existe hoje, entre algumas religiões, o conceito da morte como uma interrupção total da existência até o dia da ressurreição do corpo, como se a existência do ser humano (adam) fosse restrita ao corpo, como os demais animais. Em princípio, essas doutrinas não consideram o fato de que o ser humano (adam) não foi criado exatamente como os animais, senão apenas fisicamente. Se considerarmos apenas o aspecto físico, sim, somos idênticos aos animais, como "nefesh khayao" (ser vivente). Porém, não podemos (e não devemos) deixar de lado a revelação escritural de Bereshiyt (Gn) 1:26 de que fomos criados à imagem (tzelem) do Criador, conforme a Sua semelhança (demuth).

Muitas doutrinas são construídas simplesmente sobre versões traduzidas das escrituras, onde o trabalho de tradução foi feito por pessoas que, embora com muito conhecimento do idioma para a sintaxe, não possuem inspiração do Criador para a semântica, que diz respeito diretamente aos significados e conceitos. Quando os tradutores se deparam com palavras que trazem em si mesmas um sentido espiritual, eles trazem a tradução para o terreno material, físico, por não estarem preparados espiritualmente para tais palavras e tais conceitos. Eles fizeram isso com a palavra "sheol", traduzindo muitas vezes por "sepultura", e trazendo para o plano físico algo que é conceito espiritual, e não físico. Apesar do conhecimento dos tradutores sobre todas as palavras com sentido físico, como "qeber", "pakhath", "qeburah" e "bor", ainda assim eles não percebem a ausência dessas palavras quando se deparam com "sheol", e procuram trazer "sheol" para o mesmo conceito físico daquelas.

Quando eles conseguem dar algum sentido "espiritual" a "sheol", também erram, porque "sheol" não é "inferno", mas sim "lugar dos mortos", sendo que entre os mortos, há os que morreram na fé do Messias vindouro (salvos), e há os que morreram em total rebeldia contra o Criador (condenados), sendo ambos destinados ao "sheol" antes da vinda do Messias YAOHUSHUA. E aqui já começamos a vislumbrar as primeiras luzes acerca da diferença entre o "sheol" (lugar dos mortos) e os "sheol takhtiy" e "amoq sheol" (lugar profundo dos mortos ou lugar abissal dos mortos).

Os seguidores dessas doutrinas da interrupção da existência com a morte, costumeiramente procuram descartar certos versos das escrituras, em especial aqueles que não condizem com suas doutrinas. Quaisquer versos, que afirmem ou evidenciem o contrário de suas teorias, são descartados como "possivelmente inseridos" ou "não originais" ou até mesmo "manuseados". Se por um lado é certo que as escrituras não sofreram o melhor dos tratamentos por parte dos tradutores, por outro lado é necessário que seja provada qualquer adulteração antes que qualquer palavra seja descartada. Não podemos (e nem devemos) descartar o que quer que seja, simplesmente porque isso ou aquilo está se opondo a algum conceito que possamos trazer em nós. Nossa obrigação para com a palavra de YAOHUH UL é sempre de desejar a verdade e buscá-la de todo o coração, ajustando o nosso entendimento à ela, e não procurando ajustar as palavras ao nosso entendimento.

Um dos trechos das escrituras que é sumariamente descartado por esses que seguem essa doutrina, é a parábola do rico e Ulozor (corrompido como 'Lázaro'). Todo o texto de Lucas 16:19 até 16:31 é sumariamente descartado, embora esse texto nos esclareça fatos de grande importância sobre o "sheol" e os "sheol takhtiy" e "amoq sheol". Diz o verso 26 o seguinte: "E, além de tudo, está posto um grande abismo entre nós e vós, de modo que os que querem passar daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós". Aqui, nas palavras de YAOHUSHUA, conseguimos luz acerca da diferença entre o "sheol" e os "sheol takhtiy" e "amoq sheol". As palavras são "está posto um grande abismo", o que confere totalmente com os significados de "takhtiy" e "amoq" no Tanakh. Começa a ficar claro para o nosso entendimento que "sheol" era o lugar dos mortos salvos, enquanto "amoq sheol" ou "takhtiy sheol" era o lugar dos mortos condenados. Agora, mais do que nunca, percebemos que não podemos traduzir "sheol" como "inferno", uma vez que justos (como Abruham e Ulozor) estavam no "sheol". Fica cada vez mais claro o conceito de "lugar dos mortos salvos" e "lugar dos mortos condenados", sendo que há um abismo ("amoq") de distância entre os dois.

Alguns seguidores da doutrina de interrupção total da existência com a morte do corpo, afirmam que o texto de Lucas 16:19-31 era simplesmente uma parábola, e procuram remover dela qualquer sentido literal; contudo, as parábolas que YAOHUSHUA proferia eram alegorias sobre fatos reais, porque é para isso que uma parábola serve, para dar entendimento, com coisas palpáveis e reais, acerca de coisas abstratas e intangíveis. Quando YAOHUSHUA falou sobre o joio e o trigo, usou duas plantas reais e conhecidas pelas pessoas, para inserir um conceito espiritual abstrato, porém usando plantas reais. Se um conceito, já sendo abstrato, for explicado por parábolas que usem componentes irreias, aí fica realmente impossível para alguém compreender o sentido da parábola e o conceito que ela procura transmitir. Quando YAOHUSHUA falou sobre a fé, e a comparou a um grão de mostarda, ele usou uma semente real e que todos conheciam. Foi assim na parábola de um cego guiando outro cego, pois todos sabiam o que era um cego, foi assim com a árvore e seus frutos, foi assim com as sementes semeadas em boa terra, foi assim com a parábola da candeia, foi assim com a parábola do amigo inoportuno, foi assim com o fermento, foi assim com a dracma perdida, foi assim com o filho "pródigo", foi assim com o juiz iníquo, e com todas as demais parábolas. Os fatos reais do conhecimento de todos os que ouvem uma parábola são o material sobre o qual a parábola é construída. Ainda que consideremos os relatos de Lucas 16:19-31 como sendo uma parábola, seria impossível os ouvintes compreenderem a parábola sem que tivéssem um conhecimento prévio acerca de "sheol", "sheol takhtiy", "seio de Abruham" e "abismo separando". O material real, do conhecimento de todos utilizado por YAOHUSHUA foi o "sheol", o "sheol takhtiy", o "seio de Abruham" e o "abismo" entre um "sheol" e o outro.

Esses que assim seguem tal doutrina, ainda afirmam que Abruham, no texto de Lucas 16:31 disse que "nem que alguém ressuscite dos mortos", considerando a ressurreição de um morto como necessária para que o tal morto pudesse falar com os familiares do rico. Ora, as escrituras nos dizem em Deuteronômio 18 que YAOHUH UL considera como abominação falar com mortos, a menos que eles ressuscitem, como foi o caso de Ulozor, a quem YAOHUSHUA ressuscitou, e as pessoas puderam novamente falar com ele, visto que ele não era mais um morto, mas sim um vivo. Como YAOHUSHUA utiliza fatos reais, concretos, do conhecimento de todos para construir as parábolas, é muito óbvio que Ele não supôs que um morto fosse falar com a família do rico sem ter ressuscitado previamente. Um morto falar com um vivo é uma situação abominável por YAOHUH UL que obviamente YAOHUSHUA não iria utilizar como material de construção de Sua parábola.

Nós havíamos falado anteriormente que as escrituras indicam um direcionamento acerca do "sheol". E esse direcionamento é "para baixo". Senão vejamos:




Provérbios - capítulo 15 verso 24



Para o sábio há o caminho da vida que o leva para cima, a fim de evitar o lugar dos mortos, embaixo.



Esse verso de Provérbios traz um direcionamento. O caminho da vida é para cima. O caminho do "sheol" é para baixo. Ora, se o "sheol" é para baixo, ainda mais os "takhtiy sheol" e "amoq sheol", cujas palavras representam "profundo" ou "abissal". Não é possível que alguém seja sepultado em profundidades abissais, pelo que não é possível pensar que "sheol" tenha algo a ver com sepultura. Fica muito claro que, se alguém vai ao "sheol" (lugar dos mortos), não é o seu corpo sem vida que está indo, mas seu espírito. O verso 35 do capitulo 37 de Bereshiyt nos mostrou que Yaohusaf (corrompido como 'José') teria ido para o "sheol", segundo seu pai pensava, embora seu corpo físico não tivesse sequer sido sepultado, também segundo seu pai pensava. Yaohukaf pensava: "Meu filho foi comido por animais (o corpo está sendo digerido por feras), mas seu espírito foi para o "sheol"."

Se observarmos o texto de Provérbios 23:14 receberemos ainda mais luz sobre o fato de que "sheol" não é algo físico, mas espiritual. Vejamos o verso abaixo:




Provérbios - capítulo 23 verso 14



Tu a fustigarás com vara e livrarás o seu ser [vida, alma] do lugar dos mortos.



É interessante observar esse verso de Provérbios, dentro do contexto que discorre sobre a educação das crianças. A recomendação de Provérbios acerca de uma rígida disciplina para com as crianças, jamais poderia supor que elas não viessem a crescer e morrer um dia, e serem sepultadas. O texto diz que, se a criança for fustigada com vara (rígida disciplina), o seu ser [vida, alma] será libertado do "sheol". Não podemos nos esquecer que antes da vinda de YAOHUSHUA, justos e condenados tinham o "sheol" como destino após a morte. Um para o "sheol" e outro para o "sheol profundo", embora em poucos versos haja distinção entre esses dois "sheol". É muito claro que nenhuma disciplina pode fazer com que uma criança, um dia, não venha a morrer, mas pode fazer com que ela se livre de condenação, aqui representada apenas pela palavra "sheol". Não há disciplina que possa livrar alguém de uma sepultura um dia, mas certamente há disciplina que pode livrar da condenação, e isso é exatamente o que está representado nesse verso de Provérbios. Assim, mais uma vez, "sheol" fica totalmente dissociado de qualquer aspecto físico, em especial, de "sepultura".
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