Quando os sofrimentos se tornam uma benção



Existiu, no tempo de Herodes, rei da Judéia, um sacerdote chamado Zecharyah (Zacarias), da ordem de Abias, e cuja mulher era das filhas de Arão; e o seu nome era Isabel [da tribo de Levi]. E eram ambos justos perante Yahuh, andando sem repreensão em todos os mandamentos e preceitos de Ulhim. E não tinham filhos, porque Isabel era estéril, e ambos eram avançados em idade. E aconteceu que, exercendo ele o sacerdócio diante de Yahuh, na ordem da sua turma, Segundo o costume sacerdotal, coube-lhe em sorte entrar no templo de Yahuh para oferecer o incenso. E toda a multidão do povo estava fora, orando, à hora do incenso. E um anjo de Yahuh lhe apareceu, posto em pé, à direita do altar do incenso. E Zecharyah (Zacarias), vendo-o, turbou-se, e caiu temor sobre ele”.
[Luka (Lucas) 1: 5-12].
     O primeiro acontecimento narrado neste evangelho é a súbita aparição de um anjo a um sacerdote da tribo de Levi chamadoZecharyah (Zacarias). O anjo anuncia-lhe que milagrosamente ele se tomará pai de um menino e que esse menino será o precursor do Mashiach prometido desde Gênesis 3:15. A Palavra de Yahuh havia predito claramente que, no nascimento do Mashiach, alguém o precederia, a fim de preparar-lhe o caminho [Malachi (Malaquias) 3:1 – “Eis que eu envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim; e de repente virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais; e o mensageiro da aliança, a quem vós desejais, eis que ele vem, diz Yahuh dos Exércitos”.]. A sabedoria de Yahuh, em seu plano, providenciou as coisas de tal modo que o precursor nasceria na família de um sacerdote levita.
     Não podemos compreender claramente, em nossos dias, a imensa importância do anúncio feito por esse anjo. Para um yisraelita piedoso deve ter sido boas novas de grande alegria! Foi o primeiro comunicado de Yahuh para Yashurum (Yisrael) desde a época de Malachi (Malaquias). O longo silêncio de quatrocentos anos foi quebrado. O anúncio do anjo dizia ao crente yisraelita que as semanas proféticas de Daniyel (Daniel) se cumpriam completamente. Daniyel (Daniel) 9:25 – “Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Yahushalayim, até ao Mashiach, o Príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; as ruas e o muro se reedificarão, mas em tempos angustiosos”., que a mais preciosa promessa de YHWH finalmente estava para se cumprir e que estava para surgir "Ha MashiachHa Mashiachpor meio da qual “todas as nações da terra seriam abençoadas” [Gênesis 22:18]. Precisamos nos colocar no lugar de Zecharyah (Zacarias), a fim de tributarmos a estes versículos o seu devido valor.
     Primeiramente, observemos nesta passagem o belo testemunho proferido sobre o caráter de Zecharyah (Zacarias) e de Isabel. Somos informados que "ambos eram justos diante de Yahuh" e viviam "irrepreensivelmente em todos os preceitos e mandamentos de Ulhim". Pouco importa se interpretamos a expressão "eram justos" como uma referência à justiça imputada ao crente no ato de sua justificação ou à justiça realizada no íntimo dos crentes por operação do espírito de Yahuh, no processo de santificação. Esses dois tipos de justiça nunca estão dissociados. Não existe qualquer "justo" que não seja santificado e qualquer "santo" que não seja justificado. Basta saber que Zecharyah (Zacarias) e Isabel possuíam a misericórdia divina, quando esta era muito rara, e observaram com devoção consciente todos os exaustivos preceitos da lei de Yahuh, em uma época quando poucos yisraelitas se importavam com eles, exceto na aparência.
     O que realmente chama a nossa atenção é o exemplo que esse casal santo oferece ao povo Yashurum. Todos devemos nos esforçar para servir a Yahuh fielmente e fazer brilhar toda a nossa luz, assim como eles o fizeram. Não esqueçamos as claríssimas palavras das Escrituras: "Aquele que pratica a justiça é justo" [Yahuchanan Alef (1João) 3:7]. Felizes são as famílias tementes a Yahuh das quais podemos testemunhar que ambos, marido e mulher, são "justos" e se empenham para ter uma consciência livre de ofensas diante de Yahuh e dos homens. (Atos) 24:16 – “E por isso procuro sempre ter uma consciência sem ofensa, tanto para com Ulhim como para com os homens”].
     Em segundo lugar, observemos nesta passagem a árdua provação que Yahuh se agradou em trazer a Zecharyah (Zacarias) e Isabel. Eles "não tinham filhos". Um discípulo moderno dificilmente pode compreender o significado completo dessas palavras. Ao yisraelita da antiguidade elas transmitiam a ideia de uma aflição bastante severa. A esterilidade era uma das mais amargas experiências [Shmuel Alef (1Samuel) 1:10,11 – “Ela, pois, com amargura de alma, orou a Yahuh, e chorou abundantemente. E fez um voto, dizendo: Yahuh dos Exércitos! Se benignamente atentares para a aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva não te esqueceres, mas à tua serva deres um filho homem, a Ulhim o darei todos os dias da sua vida, e sobre a sua cabeça não passará navalha”]. A misericórdia de Ulhim não torna uma pessoa imune a qualquer problema. Ainda que esse sacerdote santo e sua esposa eram "justos", eles tinham um "espinho na carne". Lembremos isto, se servimos a Yahuh, e não nos assustemos com as provações. Ao invés disso, creiamos que uma mão de perfeita sabedoria está avaliando qual deve ser a nossa porção e que, ao disciplinar-nos, Yahuh visa fazer-nos "participantes da sua santidade" [Ivrim (Hebreus) 12:10 – “Porque aqueles, na verdade, por um pouco de tempo, nos corrigiam como bem lhes parecia; mas este, para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade”]. Se as aflições nos levam para mais perto de Yahuh, da Palavra e da oração, elas são bênçãos! Talvez não pensemos assim. Mas pensaremos, quando acordarmos no Reino vindouro.
     Em terceiro, observemos nesta passagem o instrumento pelo qual Yahuh anunciou o nascimento de Yahuchanan (João) o Imersor. "Apareceu um anjo de Yahuh" a Zacarias. Sem dúvida alguma, o ministério dos anjos é um assunto profundo. Em nenhuma outra parte da Palavra encontramos menções tão frequentes aos anjos quanto na época do ministério de Yahushua HaMashiach. Em nenhuma outra época lemos sobre tantas aparições de anjos quanto durante a vida de Yahushua e seu nascimento como homem. O significado dessa circunstância é muito claro: a congregação deveria compreender que o Mashiach não é um anjo. Os anjos anunciaram a sua vinda, proclamaram o seu nascimento, regozijaram-se quando ele nasceu. E, ao fazerem tais coisas, deixaram bem claro a seguinte verdade: Aquele que nasceu com a missão para morrer e derramar seu sangue pelo pacto, não era um dentre os anjos. Acima de tudo, há uma coisa a respeito dos anjos que não devemos esquecer: eles se interessam profundamente pela obra de Yahuh e pela salvação que Ele providenciou. Cantaram louvores sublimes quando o Mashiach de Yahuh nasceu para estabelecer a paz entre Yahuh e os demais homens, por intermédio de seu sangue que possibilitou a continuação do pacto. Regozijam-se quando pecadores se arrependem, quando homens se tornam filhos na família do Pai celestial. Deleitam-se em ministrar aos herdeiros da salvação. Enquanto estamos nesta terra, esforcemo-nos para ser como os anjos, tendo a maneira de pensar deles e compartilhando de suas alegrias. Este é o modo de estar em sintonia com o Reino.
     Devemos bendizer a Yahuh porque temos um poderoso Mediador entre Ele e nós, Yahushua HaMashiach, homem [ (1Timóteo) 2: 5 – “Porque há um só Ulhim, e um só Mediador entre Ulhim e os homens, Yahushua HaMashiach, homem”]. Crendo nele, podemos nos aproximar de Yahuh com intrepidez, esperando sem temor o retorno do Mashiach. Quando os anjos poderosos saírem para ajuntar os eleitos de Ulhim, esses não terão motivo para ficar com medo. Os anjos são conservos e amigos dos eleitos de Yahuh. [Gilyahna (Apocalipse) 22:8, 9 – “E eu, Yahuchanan (João), sou aquele que vi e ouvi estas coisas. E, havendo-as ouvido e visto, prostrei-me aos pés do anjo que, mas mostrava para o adorar. E disse-me: Olha, não faças tal; porque eu sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Yahuh”].
     Devemos tremer ao pensar no terror que sobrevirá aos ímpios naquele dia! Se mesmo os justos sentem-se perturbados por uma aparição súbita de anjos amáveis, qual será a reação dos ímpios quando os anjos vierem para recolhê-los como palha destinada à fogueira? Os temores dos justos não têm fundamento e são efêmeros. Quando se manifestarem os temores dos perdidos, ficará comprovado que os ímpios tinham motivos corretos para esses temores, que permanecerão para sempre.
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