Um Antídoto para a Confusão



Ao longo das décadas que tenho me dedicado a estudar as Escrituras, já as vi sendo utilizadas para justificar absolutamente tudo. Do Espiritismo à existência de extra-terrestres, parece que todos querem encontrar algum tipo de respaldo na autoridade do Tanach. Provavelmente, verei muitas outros temas inusitados ainda nas próximas décadas.

Não é de se admirar que, em meio a esse atoleiro da Era da Informação, as pessoas se sintam absolutamente perdidas. O que pensar? Onde está a verdadeira visão sobre o assunto de [insira aqui um tema qualquer]?

Ao invés de tentar responder a essa indagação, gostaria aqui de fazer diferente, e buscar levar o leitor a sair um pouco da estrada da confusão, para observá-la, de fora, e atentar às suas armadilhas.

O primeiro ponto importante que devemos compreender é que a confusão foi profetizada pelo próprio Tanach, que fala acerca dos nossos tempos:

“Eis que vêm dias, diz o Adonai YHWH, em que enviarei fome sobre a terra; não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras de YHWH. E irão errantes de um mar até outro mar, e do norte até ao oriente; correrão por toda a parte, buscando a palavra de YHWH, mas não a acharão.” (Amos 8:11-12)

Israel foi chamado por Elohim para levar adiante a Sua verdade. Enquanto, todavia, o exílio de Israel não chegar ao fim e Israel não se conscientizar de sua missão, haverá fome e sede da palavra do Eterno.

Isso porque, nos tempos antigos, era possível consultar os cohanim (sacerdotes), autorizados pelo próprio Eterno para consultá-lo, bem como os seus nevi’im (profetas). Isso, por hora, cessou.

Em sendo assim, tudo o que podemos fazer é acatarmos essa punição, entendendo e aceitando a parte que nos cabe na responsabilidade por ela, e fazermos o melhor que pudermos para nossos corações se voltarem a Ele.

Como podemos fazer isso?

Essa é a pergunta de um milhão de dólares – para citar uma famosa expressão idiomática norte-americana.

Sobre isso, Sahl Ben Matsliach haCohen, um exegeta que viveu em Jerusalém no século X, escreve:


“Estude, e busque, e procure, e investigue, e faça aquilo que te ocorrer por meio de prova sólida e aquilo que te parecer razoável.” (Carta a Ya’akov Ben Sh’muel – capítulo 18)

É muito fácil encontrar hoje quem faça e pense aquilo que lhe parece razoável. Certamente esse não seria um problema para nossa geração.

Observe, porém, que o processo citado por Sahl Ben Matsliach haCohen não se resume simplesmente a isso.

Certa vez, uma pessoa me fez uma pergunta por e-mail. Levei aproximadamente uma meia-hora para conseguir escrever e respondê-la. Ao enviar a resposta, dois minutos depois recebi nova pergunta. Mesmo não tendo dado tempo de ler aquilo que foi respondido.

Hoje, a ansiedade pelas palavras do Eterno é tão grande, que mal uma pessoa acaba de abocanhar uma resposta encontrada, e já quer entender outra. O imediatismo impera, absoluto.

Em sendo assim, é muito difícil observar pessoas percorrendo o processo acima citado. Fazer o que parece razoável tem como condição estudar, buscar, procurar, investigar e, sem sombra de dúvidas, buscar provas sólidas.

Faça uma reflexão sincera: Quando foi a última vez que você realmente gastou tempo com um assunto? Quando foi a última vez que passou dias, semanas, ou mesmo meses pesquisando sobre algo? Quando foi a última vez que se debruçou incessantemente sobre as Escrituras para lê-las até que elas te convencessem de alguma coisa? Não me refiro a opiniões de homens, mas a efetivamente conhecer as Escrituras.

Porém, mais importante do que isso: Quando foi a última vez que você se abriu para a possibilidade de estar errado, e leu as Escrituras não apenas para tentar justificar-se, mas sim para buscar aprender delas o que dizem, estando inclusive disposto a mudar sua vida caso as Escrituras te revelem algo diferente?

Se você está esperando, ou mesmo orando, para que o Eterno envie alguém para te ensinar a verdade, pode esperar sentado, pois essa responsabilidade é sua.

Somente aquele que encontra forças em seu íntimo para se permitir tal jornada será capaz de efetivamente afirmar que voltou seu coração para o Eterno.

Não tanto porque ele irá encontrar a resposta certa ao tema [insira aqui o da sua preferência], mas sim porque a jornada da pesquisa e do sondar as Escrituras o terá transformado de forma definitiva e permanente. Por esta razão, sempre que procuro fazer algum estudo, preocupo-me muito mais em detalhar a jornada que percorri para chegar na conclusão que cheguei, do que efetivamente detalhar qual foi a conclusão que cheguei. E prefiro mil vezes aqueles que percorreram a mesma jornada e chegaram em conclusões diferentes àqueles que se valerão unicamente da conclusão, sem sequer se preocuparem com a trajetória.

Quem se aplica a realmente estudar as Escrituras, buscando deixar que elas falem por si só, sem agendas pré-determinadas ou sem buscar justificativas e pretextos para não deixar a zona de conforto, esse é aquele que pode efetivamente dizer ter encontrado o Elohim de Israel.

“Os meus olhos anteciparam as vigílias da noite, para meditar na tua palavra.” (Tehilim/Salmos 119:148)
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