B'nei Noach, um conceito judaico





B'nei Noach, um conceito judaico! Porque este termo não é aceito segundo a visão cristã ou messingélica?
Em Atos 15 os emissários do Mashiach se reuniram para definirem a posição dos gentios que estavam se convertendo ao Eterno através do testemunho de Yaohushua. A cada dia mais gentios se convertiam e havia várias sugestões de como encaixá-los na congregação do Eterno. Para alguns, eles precisavam circuncidar e se converterem completamente ao Judaísmo. Segundo a Torah, entretanto, o Eterno já havia providenciado uma solução para este caso, pois na proclamação dos preceitos às vezes se referia ao Guer (estrangeiro não circunciso que adotava as leis básicas da Torah, o que permitia que eles caminhassem com o Eterno junto com o povo judeu), como parte da Sua Congregação, a Congregação do Eterno, formada por judeus e por estrangeiros que se convertiam ao Eterno, embora incircuncisos.

Estas leis básicas marcaram a vida de Noach - que as seguia – capacitando-o de se tornar o instrumento de salvação da Terra em sua geração. Daí, estas leis básicas ficaram conhecidas como leis noéticas, embora, obviamente, estejam na própria Torah. Por sua vez, aqueles que entre os gentios se converteram ao Eterno, embora incircuncisos, passaram a ser chamados pelos judeus como B'nei Noach (filhos de Noé), ou seja, os incircuncisos crentes no Eterno, que obedeciam as leis noéticas (lembrando que Noé era incircunciso).

Voltando ao contexto de Atos 15, ao invés de Guer, os emissários chamavam as pessoas das nações que estavam se convertendo ao Eterno, como “gentios que se convertem ao Eterno” (Atos 15:19). O termo equivalente em hebraico é Goim (plural de Goy). Gentio ou goy, entretanto, refere-se a todas as pessoas que não são judias, incluindo os pagãos e os idólatras. Em razão disto, foi usado o complemento ao termo gentio, ou seja, gentios convertidos ao Eterno, que se referia a um ex-pagão ou a um ex-idólatra. Diferente do termo prosélito, que a rigor se referia a alguém que não só se converteu ao Eterno, mas tinha o desejo de se posicionar como um judeu na Congregação do Eterno, assumindo através da circuncisão a aliança do pleno compromisso com todos os preceitos da Torah e a participação na herança das terras de Israel.


Os emissários decidiram então, estabelecer as leis básicas da Torah, conhecida no Judaísmo como as leis noéticas, aos gentios que estavam se convertendo ao Eterno. Entre os judeus, estes gentios ficaram conhecidos como B'nei Noach ou Noahides. No sentido espiritual, tanto os gentios convertidos ao Eterno, como os Judeus, são membros da Congregação do Eterno e filhos do Eterno. Porém, quando uma pessoa no judaísmo é chamada de B'nei Noach, isto significa que ela não é idólatra, que não bebe sangue de uma animal vivo, que não está praticando relações sexuais ilícitas, que não é homicida e que segue as demais leis noéticas e seus desdobramentos, e acima de tudo que é temente ao Criador.
Sendo assim, este é o melhor termo para definir em nossos dias um não judeu temente ao Eterno, inclusive aqueles que se converteram ao Eterno através do testemunho de Yaohushua. A dificuldade daqueles que tem uma visão cristã ou messingélica com este termo ocorre pela influência da teologia da substituição, que tem como base um termo não encontrado na B'rit Chadashá (NT): "Igreja de Cristo" ou "Corpo de Cristo" que é encontrado na B'rit Chadashá, é aplicado por alguns de forma equivocada e tendenciosa, com o objetivo de ser uma versão disfarçada do termo: "igreja de Cristo". Dentro desta visão equivocada, que defende a falácia de que Mashiach fundou uma igreja (quando na verdade veio restaurar a Congregação do Eterno já existente - a tradução correta é restaurar e não edificar em Mattityiahu 'Mateus' 16: 18), a visão cristã e a messingélica passou a ver o gentio como uma espécie de “novo Israel”, o que é mais cristalizado no cristianismo e mais sutil na visão messingélica, que embora combata a teologia da substituição, não está completamente livre dela, na medida em que está presa a alguns pontos desta falsa doutrina. A partir daí é fácil entender a dificuldade com o termo B'nei Noach, pois para a visão equivocada da "Igreja de Cristo", o gentio na verdade é o escolhido, já que segundo esta doutrina o Judeu "rejeitou não só Cristo, mas o seu próprio chamado de servir a YHWH", daí o termo: "Teologia da Substituição", colocando o gentio como "o novo Israel" o "novo sacerdócio", o "substituto do judeu" e a circuncisão do coração como substituto da circuncisão da carne, colocando o povo judeu na categoria de “ex-povo”, a menos que se convertesse ao cristianismo.
Então chamar o gentio convertido de B'nei Noach obviamente incomoda esta visão equivocada. A visão messingélica que fica entre o cristianismo e o judaísmo, embora mais próxima do próprio cristianismo, também não gosta do termo B'nei Noach, pois embora pretensamente combata a teologia da substituição, está presa a ela em alguns aspectos, pois de certa forma, num certo sentido, a visão messingélica é uma espécie de nova reforma do cristianismo, sem, no entanto, ter rompido com as bases fundamentais que foram introduzidas pela igreja romana.
Dizem que não se pode usar “B'nei Noach” porque não está na Bíblia, mas usam “igreja de Cristo” que não está na Bíblia, usam “corpo de Cristo” de forma equivocada, usam termos e jargões dos "pais da igreja" e até o nome “Jesus”, que também não está na B'rit Chadashá.
JUDAÍSMO DA UNIDADE É JUDAÍSMO E NÃO UMA MISTURA DE JUDAÍSMO COM CRISTIANISMO, E ASSIM, PARA NÓS, UM NÃO JUDEU QUE SE CONVERTEU AO ETERNO ATRAVÉS DO TESTEMUNHO DE YHWHESHUA, É UM B'NEI NOACH, E ISTO TRANSMITE UMA MENSAGEM EXTRAMENTE POSITIVA E ELEVADA. AO DIZER BNEI NOACH, ESTAMOS DIZENDO QUE ESTA PESSOA EMBORA NÃO SEJA UM JUDEU, ELA TEME AO ETERNO, ELA NÃO É IDÓLATRA, ELA NÃO BEBE SANGUE DE UM ANIMAL VIVO, ELA NÃO PRATICA RELAÇÕES SEXUAIS ILÍCITAS E ETC, E ACIMA DE TUDO ELA FAZ PARTE DA CONGREGAÇÃO DO ETERNO, CRÊ QUE O ETERNO É UM, PODE PARTICIPAR DO SERVIÇO NA SINAGOGA, E COMO O POVO JUDEU SÃO VERDADEIROS FILHOS DE D'US, MEMBROS DA CONGREGAÇÃO DO ETERNO, SERVOS DO ETERNO VIVO, PORÉM COM POSICIONAMENTOS CLAROS DENTRO DA CONGREGAÇÃO, SEM USURPAÇÕES DE FUNÇÕES E SEM IMPOSIÇÕES ILEGAIS.
Concluindo, através de Atos 15, os gentios convertidos ao Eterno (os B'nei Noach) foram ensinados a seguirem as leis noéticas, não foram obrigados a circuncidarem e para eles foi também disponibilizada a obediência de outras leis da Torah que são acessíveis a uma pessoa que não é circuncisa, mas que se converteu ao Eterno e O serve. Isto ficou claro nas palavras de Yaakov (Tiago), que ao finalizar as leis noéticas disse: "Porque Moshe tem em cada cidade, desde os tempos antigos, aqueles que ensinam os seus próprios ditos, que são lidos nas sinagogas nos Shabat". Isto foi dito, obviamente, porque os Bnei Noach tinham acesso às sinagogas. Que o Eterno nos livre de qualquer ligação com a teologia da substituição.

Para o Judaísmo da Unidade, a Congregação do Eterno é formada por Judeus circuncisos na carne e no coração, e de gentios convertidos ao Eterno e circuncisos no coração, os quais são chamados de Bnei Noach, pelo compromisso em guardar as 7 leis básicas da Torah, conhecidas como leis noéticas, segundo os conselhos dos emissários do Messias em Atos 15. Judaísmo da Unidade não acredita em novas reformas no cristianismo, nem em restauração do cristianismo, mas no retorno ao Judaísmo Bíblico e aos ensinamentos verdadeiros do Mashiach yhwhshua.
Shalom para todos!
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