Em Dose Dupla



“Mas ao sexto dia prepararão o que colherem; e será o dobro do que colhem cada dia.” (Shemot/Êxodo 16:5)

A passagem acima é bastante conhecida, e diz respeito ao fato de que o man (maná) caía em dobro no sexto dia, o que durava suficientemente também para o Shabat.

Historicamente, a passagem acima tem sido observada como um indicativo de que aqueles que observam o Shabat recebem porção dobrada, de modo que a observância do Shabat é suprida pelo próprio Elohim, que não permite que falte o sustento aos que O temem.

E, de fato, observamos que geralmente aqueles que guardam o Shabat possuem histórias surpreendentes sobre como o Eterno jamais deixou faltar o sustento, e como a observância do Shabat lhes trouxe qualidade de vida.

O Shabat é um sinal interessante, porque é um ponto onde o Eterno nos faz abdicarmos da confiança naquilo que temos por certo – isto é: quanto mais se trabalha, melhor se ganha – para confiarmos nEle e dependermos dEle em nosso sustento.

Mas existe algo mais nesse conceito. Algo que aparece justamente em um trecho que foi lido na última sedrá semanal:

“Este é o holocausto contínuo, instituído no monte Sinai, em cheiro suave, oferta queimada a YHWH. A oferta de libação do mesmo será a quarta parte de um him para um cordeiro; no lugar santo oferecerás a libação de bebida forte a YHWH. E o outro cordeiro, oferecê-lo-ás à tardinha; com as ofertas de cereais e de libação, como o da manhã, o oferecerás, oferta queimada de cheiro suave a YHWH. No dia de Shabat oferecerás dois cordeiros de um ano, sem defeito, e dois décimos de efa de flor de farinha, misturada com azeite, em oferta de cereais, com a sua oferta de libação; é o holocausto de todos os sábados, além do holocausto contínuo e a sua oferta de libação.” (Bamidbar/Números 28:6-10)

Além da oferta queimada continuamente, o trecho acima indica que mais dois cordeiros seriam oferecidos no Shabat, indicando que no Shabat a quantidade de ofertas queimadas era dobrada.

Até hoje, em muitas sinagogas, parte das orações matinais de Shabat é feita duas vezes, em virtude exatamente de recordar do duplo sacrifício feito no Shabat.

Temos a tendência de pensar em sacrifício simplesmente como matança de animais. Porém, um estudo detalhado da estrutura do Mishkan (Tabernáculo) e/ou do Beit HaMikdash (Templo) revela que uma realidade bem diferente.

Nos tempos antigos, abdicar de um animal significava abdicar de alimento: de sua carne, do leite. Abdicar também de proteção, pois a sua pele poderia ser usada para fazer vestimentas, e a sua gordura para manter o calor. Abdicar de recursos econômicos, uma vez que os insumos e produtos poderiam ser comercializados.

Sacrifício de fato é a melhor palavra para definir o conceito. O que seria para você, hoje, sacrificante? Abrir mão do seu lazer? Abrir mão de renda? Não buscar favorecimento pessoal em nossas ações, mas antes valorizar a integridade? Desafiar a família, para servir ao Eterno? Para cada pessoa, a palavra pode tomar uma conotação.

Quando chegamos no Shabat, nesse verdadeiro marco da observância da Torah, o Eterno nos pede algo curioso: sacrifício dobrado.

Em outras palavras: Se é necessário esforço e sacrifício para observarmos a Torah, de um modo geral, no que diz respeito ao Shabat o nosso esforço deve ser dobrado.

É hora de refletirmos: Será que temos realmente aplicado esforço dobrado na nossa observância do Shabat?

A mensagem do Eterno é clara: Sacrificar-se em prol da observância da Torah tem o seu retorno.

No caso do Shabat, temos uma experiência curiosa: Ele exige de nós o dobro de esforço, mas também nos dá o dobro de sustento. De modo que o sacrifício verdadeiro, na realidade, é muito mais o sacrifício de abdicarmos de querermos ser senhores de nossos caminhos, e nos curvarmos a Ele, dependendo do Seu amor e do Seu sustento.

Se você ainda não tem essa experiência, tire prova das palavras da Torah. Comece pelo Shabat: Esforce-se duplamente para observar esta mitsvah (mandamento), e observe, maravilhado, o sustento do Eterno suprir todas as suas necessidades.

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